segunda-feira, 21 de abril de 2014

Dennehy’s Farm - Primeiras impressões

Estou há uma semana na fazenda do Niall Dennehy e achei que estava na hora de contar como esta aqui. Cheguei na ultima segunda-feira, dia 14 de abril, ele me buscou na rodoviária de Killarney. A fazenda não é muito longe do centro da cidade, 10 minutos de carro. Aqui é totalmente diferente da fazenda onde eu estava. Sou o único voluntário. Meu alojamento é uma casa. Sim, uma casa só pra mim! Tenho dois quartos, dois banheiros, sala e cozinha, mas quase não fico nessa casa, uso mais a casa do Niall que é onde tem internet e faço minhas refeições. Essa outra é só para eu dormir mesmo. Na casa do Niall moram ele, a mãe e sempre tem algum irmão dele por lá. Esse final de semana foi páscoa então a casa estava cheia de gente. Bom, mas vou contar primeiro como foi a semana.
O dia aqui começa cedo. Acordo sete e meia, caminho até a casa principal (dá uns 10 ou 15 minutos), tomo café e às oito e meia começo a trabalhar. Meu serviço não é difícil, mas às vezes cansa bastante porque é muito trabalho. Começo ajudando o Niall a tirar leite. Esqueci de falar, aqui é uma fazenda de leite e antes que pensem que estou ordenhando vacas já falo, aqui é tudo mecanizado. Quando chego ele já começou. Primeiro ele passa um produto vermelho nas tetas delas para limpar, coloca os “sugadores” (não faço ideia do nome disso) e após o leite ser tirado ele passa um líquido verde para evitar infecção. Isso se repete umas 8 vezes, porque ele tem 45 vacas. Mas se fosse só isso tranquilo, o problema é que nossas queridas amigas vaquinhas não tem controle sobre seus esfíncteres, então urinam e defecam por todo lugar que passam. E é ai que entra meu principal trabalho, limpar a sujeira que elas fazem. Tenho que empurrar tudo até um valo e no final passar água com um jato. Agora não me importo mais, mas no começo o cheiro era bem complicado.
Depois disso pegamos uma parte do leite, Niall coloca mais um produto (eles tomam leite batizado) para prevenir doenças e vamos alimentar os bezerros. Agora eu entendi aquela famosa frase “mama mais que bezerro” porque nem cheguei com o balde de leite e eles já estão colocando a boa procurando leite. Meu casaco de trabalhar (sim tenho uma roupa separada para trabalhar) fica todo babado, mas o pior não é isso, é que eles ficam colocando o focinho e nem sempre é com delicadeza, então me empurrando e quase não consigo colocar o leite para eles beberem. Às vezes da muita raiva, mas me acalmo “tudo nessa vida passa”. Depois tenho que ajuda-los a encontrar o leite, eles são meio tontos, coloco meu dedo na boca deles e levo até o balde.
Quando estou com raiva de alguma coisa é só eu sair de algum dos galpões e ver a vista incrível que tem aqui. Essas montanhas tem a capacidade de trazer paz pra mim. As fotos que tirei não conseguem mostrar como aqui é lindo, mas vou colocar elas pra vocês verem.
Depois de tirar o leite, limpar o lugar e alimentar os bezerros tem mais trabalho, mudar o cercado de lugar. As vacas de noite ficam em um campo e de dia em outro, para elas não comerem todo o pasto durante a noite tem como se fosse uma linha com energia (dá choque) que impede de elas passarem. O choque não é forte, já tomei um desses, mas foi na outra fazenda, outra hora conto. Então temos que muda-lo todo dia. Quando terminamos vamos almoçar. Depois do almoço todo dia muda. Tem dias que fico duas ou três horas sem fazer nada, tem outros que só tenho meia hora de descanso, dependo do dia.
Às seis horas esta na hora de tirar de novo o leite. Vou até onde as vacas ficam e trago elas para tirar o leite. Tenho que me esquivar de várias bostas pelo caminho, mas é tranquilo quando as vaquinhas estão de bom humor. Repete-se todo o processo que falei antes, tirar leite, limpar, alimentar os animais. Após tudo isso, vamos jantar. Geralmente terminamos as 8:30 com tudo, mas tem dias que vai até mais tarde. Sim o dia aqui é bem longo, por isso que é mais difícil.

Não posso reclamar de nada daqui. O Niall, a mãe dele e toda a família me tratam muito bem, e têm paciência quando não entendo o que eles falam. O sotaque deles é bem diferente e falam muito rápido, mas com o tempo aprendi a entender. Tenho meus finais de semana livres, nesse que passou fui até a cidade para conhecer, mas isso já é assunto para um próximo post. Vou trabalhar porque a vida de fazendeiro não é fácil. 
Vista da fazenda.

Vista da casa do Niall.

Meu alojamento, quarto, sala e cozinha.

6 comentários:

  1. Hey, Roberto. Dá pra andar por essas montanhas ou tudo isso é cercado?

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    1. É tudo "aberto João, tem trilhas, mas ainda não fui, não sei se terei tempo pra ir la :/ mas vou tentar ;D

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  2. Um quarto só pra ti, é isso mesmo?

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  3. Adoreiiii!! Continua postando que assim me sinto bem pertinho de ti! :3

    Lê o meu também!! (quando tu tiver umas tres horinhas livres, hehe)
    Beijosss

    Saudadee

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    1. :D
      e tbm gosto do teu, já tinha lido ele, mas não vi que tinha postagem nova! Irei ler :D
      Vê se escreve mais!
      bjão, saudades de ti tbm...

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