domingo, 25 de maio de 2014

Glenveagh e Errigal


No último final de semana fomos conhecer o Glenveagh National Park e escalamos a montanha Errigal. No sábado fomos no parque. Ele é bem bonito, ótimo para caminhar e apreciar a natureza. No parque fica o Glenveagh’s Castel, que gosto de chamar de Baratheon’s Castel (quem assiste Game of Thrones vai entender o porque). Caminhamos até o castelo e como começou a chover resolvermos fazer o tour pelo interior do castelo. É chifre e cabeça de veado espalhada por todo o lugar. São estátuas, pinturas, louças, enfim para mim é o castelo perfeito para os Baratheons. Gostei do interior dele, mas não parece um castelo, é mais um palácio. Infelizmente não pude tirar fotos na parte interna, mas no Google têm umas legais (aqui). Andamos um pouco pelos jardins, mas como estava chovendo muito forte não deu pra ver tudo. Pegamos um ônibus para voltar até a entrada do parque. Foi divertido o passeio.

No domingo Oona, Ian e Alia foram para Dublin e nos deram uma carona até a montanha Errigal. Começamos a escalada as 12:30 e chegamos no topo antes das duas horas. Foi cansativa a subida, mas também foi incrível! A paisagem é linda, mas acho que o mais legal é perceber que o esforço valeu a pena. Na decida fizemos uma pausa para o almoço, sanduíche de queijo com ovo cozido e maça de sobremesa. Almoçar com aquele paisagem em minha frente foi bom de mais.
No final da decida, Fátima e Ismael começaram a se empurrar e jogar o outro no chão. Em uma dessas Ismael não levantou mais e ficou lá deitado no pasto. Resolvi fazer o mesmo. Tiramos um pequeno intervalo para descansar. Aquilo parecia ser melhor que qualquer cama que já deitei, ou eu estava muito cansado.
Resolvemos ir caminhando de volta para a casa. Vi que na rua não tinha muito movimento e falei por Ismael "quero uma foto deitado no meio da rua". Ele me olhou com uma cara estranha, mas depois falou "Eu também quero!". Até a Fátima que tinha medo quis tirar. Foi divertido e emocionante.  No meio do caminho já não aguentava mais caminhar. Acho que são 10km ou mais. Chegamos em casa as 18:45, então caminhamos quase seis horas e meia.

Para nossa surpresa não tinha ninguém em casa. Eles só iriam voltar na segunda à noite. Ainda me impressiono com a confiança do pessoal daqui. Eles deixaram a casa aberta, não trancaram as portas e, ainda mais, deixaram estranhos (nós) cuidando dela! Claro que não iremos fazer nada, mas fico pensando, eles devem ter muita segurança para fazer isso. Eu nunca faria o mesmo. Pode ser porque me preocupo de mais com as coisas que tenho (sou um pouco materialista). Mas me senti bem, porque se isso aconteceu é porque eles confiaram em mim.  Depois de tudo isso eu só queria tomar banho e minha cama, porque no outro dia teria que trabalhar.
Glenveagh Castel


Mágico!
Almoço incrível!


Vista do topo.

Um pouco de loucura faz bem.

Errigal Mountain

Vivendo com os Joyces

São três semanas que estou morando na casa do Ian e da Oona Joyce. Minha rotina aqui é totalmente diferente da outra fazenda. Trabalho só 5 horas. O trabalho varia, se estiver chovendo limpamos a casa (que é enorme), a oficina de arte e organizamos algumas coisas. Quando o dia esta bom, trabalhamos na horta, no jardim e o que mais tiver pra fazer na parte de fora da casa. O trabalho é muito tranquilo. Às vezes até um pouco de mais.
A parte boa daqui é a tranquilidade. O vilarejo mais próximo fica à 5km ou mais. Estou literalmente no meio do nada, mas que nada mais bonito que é aqui. A casa é cercada por montanhas, a vista é linda. Tem dois lagos aqui perto, um fica quase em frente da casa e o outro é só subir uma lomba que consigo enxerga-lo.
Aqui na propriedade tem duas casas e uma casa móvel. Durmo na casa principal, mas as refeições são na casa antiga. A casa móvel não usamos, pra falar a verdade nunca entrei nela.  As duas casas são bonitas, mas gosto mais da antiga, acho ela mais aconchegante. Nela que fica a biblioteca, minha parte preferida. Claro que não estou lendo muito, todos os livros são em inglês e é um pouco complicado para ler, mas tem muitos livros sobre arte e fotografia, então leio mais esses.
No dia em que cheguei conheci Morag, uma outra voluntária, muito gente boa. Ela é canadense, e o inglês dela é muito tranquilo. Pena que ela foi embora no outro dia, mas foi bom poder conhecê-la.  No segundo dia chegaram os espanhóis, dois irmãos que estão viajando pela Irlanda. Eles são muito legais, e passo a maior parte do tempo com eles. Fátima tem 22 anos e o Ismael 18. É bom ter mais voluntários aqui, no Niall eu me sentia meio sozinho às vezes, assim tenho com quem conversar e me divertir. Na terceira semana chegou Benjamim o alemão que conheci na minha primeira fazenda. Foi legal revelo e conversar sobre nossas viagens.
Como aqui é um centro artístico, às vezes eles hospedam alguns artistas. Orla é uma jovem artista que esta começando a carreira e tirou algumas semanas para ficar por aqui. Ela é bem legal, têm paciência para conversar comigo e várias histórias legais para contar.
Um dia um dos vizinhos dos Joyces passou aqui e nos convidou para ir na casa dele, e capaz que não iríamos. Ela é bem perto, uns 10 minutos caminhando. Ele tem muitos livros, cada cômodo tem uma estante. Ele é poeta, mas é em irlandês, como não entendo nada em irish, não li nada que ele escreveu. Acho que ele é bem famoso por aqui, mas ainda não pesquisei sobre ele porque não tenho certeza como se escreve o nome (é Cathal, mas se lê Carral). Ele gosta de conversar e mostrou toda a casa para nós. Gosto disso nos irlandeses, eles são hospitaleiros e gostam de contar suas histórias (ok, não são todos, mas a grande maioria é).
Quando o tempo esta bom vamos para a praia. Me impressionei a primeira que fui, ela realmente se parece com uma praia! Tem areia, algumas dunas e a água é limpa e “azulzinha”. Foi divertido ir lá. Deu pra tirar os tênis e sentir a água fria, a areia, a brisa do mar. Quase tinha me esquecido dessas sensações. Claro que não deu para tomar banho, mas talvez numa próxima eu tente.
Ian e a Oona têm quatro filhos (duas meninas e dois meninos), mas eu só conheci os rapazes. Alia, o mais novo, é muito esperto e sempre esta correndo pelos jardins lutando contra Orcs ou nos salvando de algum perigo. Esses dias quando estávamos conversando ele falou “Dublin é feia, não gosto muito de lá” e eu “Mas Dublin é uma cidade bonita” ele “Isso, Dublin é uma Cidade!”. Ainda penso nisso que ele falou. Provavelmente essa criança de nove anos entende melhor das coisas que eu.

Iria ficar só duas semanas aqui, mas conversando com a Oona ela disse que eu poderia ficar mais tempo se quisesse, então ficarei mais.
Casa principal e meu quarto.

Paisagens.

Casa antiga, pra mim a melhor!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Despedida e Donegal.

A última semana na fazenda Dennehy foi muito boa. Confesso que na primeira semana já estava contando os dias para me mudar porque o trabalho às vezes era bem chato, mas nessa ultima semana já não tinha tanta certeza se queria mudar. Acho que foi porque já estava acostumado com o trabalho, sabia o que fazer. Então agora estou com saudades. Minha hora de mudar tinha chegado, fiz as malas e parti. Quando me despedi de Niall ele me agradeceu pela ajuda e ainda me deu 50 euros! Ele falou: “Toma umas Pints”. Nem preciso falar que fiquei mais que feliz. Com esse dinheiro consigo pagar meu ônibus, hostel e ainda sobra dinheiro. Foi Betty (mãe do Niall) que me levou até a rodoviária. Enquanto íamos sentia o misto de ansiedade e saudade. Ansiedade para conhecer mais lugares e a saudade de deixar uma família tão legal. Tive bons momentos lá, boas histórias e consegui me divertir bastante. Aprendi muitas coisas e principalmente a valorizar o trabalho dos fazendeiros!
Peguei o ônibus às 10 horas, teria "só" que fazer três trocas até chegar em Donegal. Minha primeira jornada era até Limerick, que no dia estava tendo uma corrida e o ônibus não me deixou na rodoviária. Resultado: tive que andar 3 km com minhas malas e perdi o primeiro ônibus para Galway. Peguei o segundo. Cheguei em Galway as 3 horas, o próximo para Sligo era só as 4. Estava exausto e fiquei descansando na rodoviária. Embarquei às 4 horas para Sligo e as 6:30 cheguei lá. Esperei uns 15 minutos e peguei, finalmente, o último ônibus do dia. Cheguei às 8:30 em Donegal. Para variar estava chuviscando. Um quilômetro de caminhada e eu estava no hostel. Só queria comida e um banho. Estava exausto. Praticamente 12 horas dentro de ônibus e o dia não estava bonito pra ficar apreciando a paisagem.
No outro dia, conversei com a dona do hostel, que foi muito gentil comigo, e me indicou uma pequena caminhada para fazer. Deixei minhas malas e fui conhecer Donegal. Fiz a caminhada, que foi boa e cheguei ao centro. Pra falar a verdade a cidade não me agradou. Não tem muita coisa para fazer. As únicas coisas da cidade (que na verdade é uma vila com mais ou menos 8 mil habitantes) são um Castelo e algumas lojas para ver. O castelo não me impressionou muito não. Foi legal entrar, conhecer um pouco da história do lugar, mas acho que estava tão cansado que nem isso me animou muito.Entrei em duas lojas muito legais. A primeira foi uma livraria, muito simpática, e a segunda era uma loja de lembrancinhas. Caminhei um pouco pela cidade e resolvi voltar ao hostel e esperar para pegar o próximo ônibus. Fiquei na sala descansando e consegui assustar a filha dos donos porque ela pensava que estava sozinha na casa. Conversei com ela bastante tempo sobre viagens, Brasil e sotaques.
As 6:30 peguei o ônibus (que estava atrasado e eu achando que tinha perdido) e duas horas depois cheguei em Gortahork. Liguei para meus novos hosts e cheguei na minha nova “casa”.  


Eu, Betty e Niall.
Saudades do meu antigo trabalho.
Caminhada
Castelo.
Pausa para a nova Tattoo (brincadeira).

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dingle

No último final de semana meu host Niall teve um casamento para ir e eu não teria como ir para cidade ou fazer outra coisa se não ficar na fazenda. Resolvi ir para Dingle uma península com várias praias e montanhas. Já tinha ouvido falar de lá (meus amigos da outra fazenda foram e falaram que era lindo lá) e tinha muita vontade de conhecer. No sábado peguei o ônibus e fui. É um pouco difícil dormir nos ônibus aqui na Irlanda, pois as paisagens sempre são bonitas, então preferi ficar acordado e curtir um pouco do visual. Tive que trocar de ônibus em Tralee.
Cheguei em Dingle depois da uma da tarde. Pra variar o tempo não estava muito bom e chovia um pouco. Sempre tenho sorte quando viajo... Bom, mas tinha que aproveitar do mesmo jeito. Caminhei pela cidade. Ela não é muito grande, acho que em 1 hora já tinha visto praticamente tudo. Têm muitos pubs, não contei, mas em cada quadra devia ter no mínimo uns 4. Depois de conhecer a cidade precisava achar meu hostel. Não sabia direito onde ficava então procurei por wifi para conectar na internet. Vi a biblioteca pública e resolvi entrar. Ela é bem legal, têm livros, filmes, CDs, e internet! Depois de saber onde meu hostel ficava fui até lá. O Lovett’s Hostel é mais uma casa com quartos para as pessoas dormirem. Eu achei muito bom. Cama confortável, banheiro limpo, e a dona foi muito legal comigo.
Como ainda estava cedo e o sol resolveu aparecer, timidamente, mas apareceu resolvi caminhar até o farol. Não preciso falar que a paisagem era linda. Sério o lugar é muito bonito, mesmo o dia estando feio era bonito. Perto do Farol tive a oportunidade de ver uma apresentação dos Golfinhos. Sim tem golfinhos lá! Saltavam, davam piruetas, se divertiam. Tirei algumas fotos.  Quando voltei para o hostel conheci duas italianas muito legais. Chiara e Federica me convidaram para ir a algum pub, e porque não aceitaria? Então fomos. Foi divertido. No pub tinha música tradicional irlandesa, muito boa.
No domingo resolvi pegar uma bicicleta para conhecer melhor a península. Peguei ela às 10 horas e sai sem um rumo. No mapa tinha uma rota para ciclistas. São 127 km, achei que era um pouco longa de mais, resolvi fazer só metade. Foi uma experiência incrível! Andei bastante, uns 50 km, mas nem pareceu tanto. Confesso que nas subidas eu queria desistir, mas quando passava as curvas e via a paisagem pensava “Esse esforço é pouco por isso”. Durante o percurso encontrei Chiara e Federica, mas elas estavam fazendo o tour com Van. Na metade do caminho já estava exausto e precisava descansar. Achei um lugar bom pra sentar e preparei meu almoço: Uma lata de sopa do Lidl com bolachas cream cracker. Não sei se era porque estava com fome, mas estava muito boa J . Tinha até sobremesa, biscuito digestives com chocolate do Tesco (isso não pode faltar). Depois continuei a jornada. Era divertido andar de bicicleta. Quando estava nas descidas me imaginava em uma moto andando pelas curvas das montanhas. Antes de chegar na cidade resolvi tirar uma foto com minha nova companheira a Carter, minha bicicleta.
Cheguei na cidade depois das 2 horas. Resolvi andar um pouco mais. Tinha um sol lindo e não podia desperdiça-lo. Fui para o outro lado da península, numa pequena e isolada praia. Muito legal lá. Deitei na grama e aproveitar pra descansar um pouco. Naquele momento não queria fazer mais do que isso, ficar ali deitado e apreciando a paisagem.
Cheguei no hostel e conversei com a dona. Ela foi muito gentil perguntando como foi meu dia, e disse que ficou feliz por eu ter aproveitado. Perguntou se eu precisava de alguma coisa e depois saiu.
Na segunda peguei o ônibus novamente. Parei em Tralee e fiquei umas duas horas na cidade. Era pequena e não tinha muitas coisas para fazer. Uma curiosidade da cidade é que ela é conhecida como “Cidade das Rosas” na Irlanda! Claro que me lembrei da minha adorável Sapiranga ;D .

Bom, foi um ótimo passeio e recomento Dingle para aqueles que querem uma aventura diferente.


Federica, Chiara e eu ;D




Paisagens incríveis! 

Almoço de domingo. Coisa boa!
Eu e minha bike.
Finalzinho de tarde mais ou menos.