domingo, 25 de maio de 2014

Vivendo com os Joyces

São três semanas que estou morando na casa do Ian e da Oona Joyce. Minha rotina aqui é totalmente diferente da outra fazenda. Trabalho só 5 horas. O trabalho varia, se estiver chovendo limpamos a casa (que é enorme), a oficina de arte e organizamos algumas coisas. Quando o dia esta bom, trabalhamos na horta, no jardim e o que mais tiver pra fazer na parte de fora da casa. O trabalho é muito tranquilo. Às vezes até um pouco de mais.
A parte boa daqui é a tranquilidade. O vilarejo mais próximo fica à 5km ou mais. Estou literalmente no meio do nada, mas que nada mais bonito que é aqui. A casa é cercada por montanhas, a vista é linda. Tem dois lagos aqui perto, um fica quase em frente da casa e o outro é só subir uma lomba que consigo enxerga-lo.
Aqui na propriedade tem duas casas e uma casa móvel. Durmo na casa principal, mas as refeições são na casa antiga. A casa móvel não usamos, pra falar a verdade nunca entrei nela.  As duas casas são bonitas, mas gosto mais da antiga, acho ela mais aconchegante. Nela que fica a biblioteca, minha parte preferida. Claro que não estou lendo muito, todos os livros são em inglês e é um pouco complicado para ler, mas tem muitos livros sobre arte e fotografia, então leio mais esses.
No dia em que cheguei conheci Morag, uma outra voluntária, muito gente boa. Ela é canadense, e o inglês dela é muito tranquilo. Pena que ela foi embora no outro dia, mas foi bom poder conhecê-la.  No segundo dia chegaram os espanhóis, dois irmãos que estão viajando pela Irlanda. Eles são muito legais, e passo a maior parte do tempo com eles. Fátima tem 22 anos e o Ismael 18. É bom ter mais voluntários aqui, no Niall eu me sentia meio sozinho às vezes, assim tenho com quem conversar e me divertir. Na terceira semana chegou Benjamim o alemão que conheci na minha primeira fazenda. Foi legal revelo e conversar sobre nossas viagens.
Como aqui é um centro artístico, às vezes eles hospedam alguns artistas. Orla é uma jovem artista que esta começando a carreira e tirou algumas semanas para ficar por aqui. Ela é bem legal, têm paciência para conversar comigo e várias histórias legais para contar.
Um dia um dos vizinhos dos Joyces passou aqui e nos convidou para ir na casa dele, e capaz que não iríamos. Ela é bem perto, uns 10 minutos caminhando. Ele tem muitos livros, cada cômodo tem uma estante. Ele é poeta, mas é em irlandês, como não entendo nada em irish, não li nada que ele escreveu. Acho que ele é bem famoso por aqui, mas ainda não pesquisei sobre ele porque não tenho certeza como se escreve o nome (é Cathal, mas se lê Carral). Ele gosta de conversar e mostrou toda a casa para nós. Gosto disso nos irlandeses, eles são hospitaleiros e gostam de contar suas histórias (ok, não são todos, mas a grande maioria é).
Quando o tempo esta bom vamos para a praia. Me impressionei a primeira que fui, ela realmente se parece com uma praia! Tem areia, algumas dunas e a água é limpa e “azulzinha”. Foi divertido ir lá. Deu pra tirar os tênis e sentir a água fria, a areia, a brisa do mar. Quase tinha me esquecido dessas sensações. Claro que não deu para tomar banho, mas talvez numa próxima eu tente.
Ian e a Oona têm quatro filhos (duas meninas e dois meninos), mas eu só conheci os rapazes. Alia, o mais novo, é muito esperto e sempre esta correndo pelos jardins lutando contra Orcs ou nos salvando de algum perigo. Esses dias quando estávamos conversando ele falou “Dublin é feia, não gosto muito de lá” e eu “Mas Dublin é uma cidade bonita” ele “Isso, Dublin é uma Cidade!”. Ainda penso nisso que ele falou. Provavelmente essa criança de nove anos entende melhor das coisas que eu.

Iria ficar só duas semanas aqui, mas conversando com a Oona ela disse que eu poderia ficar mais tempo se quisesse, então ficarei mais.
Casa principal e meu quarto.

Paisagens.

Casa antiga, pra mim a melhor!

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