sexta-feira, 6 de junho de 2014

Última semana com os Joyces

Essa semana foi boa, mas também foi difícil. Foi a semana quando Ismael, Fátima e Orla partiram e foi a semana em que me dei conta que só tinha mais duas semanas na Irlanda. Sim o clima de despedida estava presente em todos os dias.  É estranho como podemos passar pouco tempo com novas pessoas e depois sentir falta delas. Não falo isso só pelas pessoas que conheci aqui, mas pelas que conheci no meu intercâmbio todo. Sinto falta dos momentos que vivemos juntos.
Mas voltando a minha semana, um dos dias foi melhor que os outros. Naquele dia terminei o trabalho mais cedo e vi que Orla iria caminhar, conversei com ela e ela me perguntou se não queria ir caminhar também. Pensei “E porque não?”. Foi bem divertido. Ela tem ótimas histórias e é super divertida. No meio da caminhada resolvemos visitar Cathal. Orla me contou que ele é muito famoso aqui na Irlanda e que é um grande poeta. Como sempre Cathal nos convidou para entrar na casa e tocar um chá. Posso falar que deu pra rir bastante! Os dois juntos formaram uma dupla boa de conversa, claro que participava também, mas era óbvio que eles comandavam. Isso é uma das coisas que mais gosto nessas experiências que estou tendo, poder conhecer novas pessoas e suas histórias.
Como toda boa despedida na Irlanda, fomos no pub no vilarejo de Gortahork. Ele não é muito grande, mas todas as terças-feiras têm música irlandesa ao vivo. Após beber um pouco já estava quase fluente... Conversei bastante com o Ian que me contou mais sobre seu trabalho e algumas curiosidades sobre a Irlanda.
No sábado fui junto com a Cathal e outras artistas em uma galeria de arte perto da cidade. Foi bem divertido e escutei canto gaélico escocês, foi show! Cathal me deu dois dos livros dele, um é em irlandês (não sei ler em irish, mas vem com um cd com os poemas cantados) e o outro é em irlandês com tradução para inglês. Achei muito legal da parte dele e fiquei muito feliz.
Oona me falou que iria ir para Dublin na quinta e resolvi pegar uma carona com ela. Assim não precisei gastar com ônibus. Me despedi do Benjamin, do Cathal, das montanhas e lagos e fui para Dublin. Na sexta já estava em Dublin e ajudei o Ian com a exposição que ele iria fazer. Foi num cinema bem bonita em D7 (Light House Cinema). Essa foi uma das exposições para a amostra da cultura Georgiana. Assisti um documentário em georgiano muito bom, e até presenciei uma briga nessa língua e posso falar que discussão é discussão em qualquer língua.

Depois de todas essas experiências, me despedi da Oona, do Ian e do Ilia e agradeci por tudo que eles fizeram por mim.  E fui aproveitar meus últimos dias em Dublin.
Saudades dessa vista.

1ªcom o Cathal, 2ª com o Ilia e a 3ª com o Benjamin.

Com a Oona, o Ian e o Ilia dormindo.

domingo, 25 de maio de 2014

Glenveagh e Errigal


No último final de semana fomos conhecer o Glenveagh National Park e escalamos a montanha Errigal. No sábado fomos no parque. Ele é bem bonito, ótimo para caminhar e apreciar a natureza. No parque fica o Glenveagh’s Castel, que gosto de chamar de Baratheon’s Castel (quem assiste Game of Thrones vai entender o porque). Caminhamos até o castelo e como começou a chover resolvermos fazer o tour pelo interior do castelo. É chifre e cabeça de veado espalhada por todo o lugar. São estátuas, pinturas, louças, enfim para mim é o castelo perfeito para os Baratheons. Gostei do interior dele, mas não parece um castelo, é mais um palácio. Infelizmente não pude tirar fotos na parte interna, mas no Google têm umas legais (aqui). Andamos um pouco pelos jardins, mas como estava chovendo muito forte não deu pra ver tudo. Pegamos um ônibus para voltar até a entrada do parque. Foi divertido o passeio.

No domingo Oona, Ian e Alia foram para Dublin e nos deram uma carona até a montanha Errigal. Começamos a escalada as 12:30 e chegamos no topo antes das duas horas. Foi cansativa a subida, mas também foi incrível! A paisagem é linda, mas acho que o mais legal é perceber que o esforço valeu a pena. Na decida fizemos uma pausa para o almoço, sanduíche de queijo com ovo cozido e maça de sobremesa. Almoçar com aquele paisagem em minha frente foi bom de mais.
No final da decida, Fátima e Ismael começaram a se empurrar e jogar o outro no chão. Em uma dessas Ismael não levantou mais e ficou lá deitado no pasto. Resolvi fazer o mesmo. Tiramos um pequeno intervalo para descansar. Aquilo parecia ser melhor que qualquer cama que já deitei, ou eu estava muito cansado.
Resolvemos ir caminhando de volta para a casa. Vi que na rua não tinha muito movimento e falei por Ismael "quero uma foto deitado no meio da rua". Ele me olhou com uma cara estranha, mas depois falou "Eu também quero!". Até a Fátima que tinha medo quis tirar. Foi divertido e emocionante.  No meio do caminho já não aguentava mais caminhar. Acho que são 10km ou mais. Chegamos em casa as 18:45, então caminhamos quase seis horas e meia.

Para nossa surpresa não tinha ninguém em casa. Eles só iriam voltar na segunda à noite. Ainda me impressiono com a confiança do pessoal daqui. Eles deixaram a casa aberta, não trancaram as portas e, ainda mais, deixaram estranhos (nós) cuidando dela! Claro que não iremos fazer nada, mas fico pensando, eles devem ter muita segurança para fazer isso. Eu nunca faria o mesmo. Pode ser porque me preocupo de mais com as coisas que tenho (sou um pouco materialista). Mas me senti bem, porque se isso aconteceu é porque eles confiaram em mim.  Depois de tudo isso eu só queria tomar banho e minha cama, porque no outro dia teria que trabalhar.
Glenveagh Castel


Mágico!
Almoço incrível!


Vista do topo.

Um pouco de loucura faz bem.

Errigal Mountain

Vivendo com os Joyces

São três semanas que estou morando na casa do Ian e da Oona Joyce. Minha rotina aqui é totalmente diferente da outra fazenda. Trabalho só 5 horas. O trabalho varia, se estiver chovendo limpamos a casa (que é enorme), a oficina de arte e organizamos algumas coisas. Quando o dia esta bom, trabalhamos na horta, no jardim e o que mais tiver pra fazer na parte de fora da casa. O trabalho é muito tranquilo. Às vezes até um pouco de mais.
A parte boa daqui é a tranquilidade. O vilarejo mais próximo fica à 5km ou mais. Estou literalmente no meio do nada, mas que nada mais bonito que é aqui. A casa é cercada por montanhas, a vista é linda. Tem dois lagos aqui perto, um fica quase em frente da casa e o outro é só subir uma lomba que consigo enxerga-lo.
Aqui na propriedade tem duas casas e uma casa móvel. Durmo na casa principal, mas as refeições são na casa antiga. A casa móvel não usamos, pra falar a verdade nunca entrei nela.  As duas casas são bonitas, mas gosto mais da antiga, acho ela mais aconchegante. Nela que fica a biblioteca, minha parte preferida. Claro que não estou lendo muito, todos os livros são em inglês e é um pouco complicado para ler, mas tem muitos livros sobre arte e fotografia, então leio mais esses.
No dia em que cheguei conheci Morag, uma outra voluntária, muito gente boa. Ela é canadense, e o inglês dela é muito tranquilo. Pena que ela foi embora no outro dia, mas foi bom poder conhecê-la.  No segundo dia chegaram os espanhóis, dois irmãos que estão viajando pela Irlanda. Eles são muito legais, e passo a maior parte do tempo com eles. Fátima tem 22 anos e o Ismael 18. É bom ter mais voluntários aqui, no Niall eu me sentia meio sozinho às vezes, assim tenho com quem conversar e me divertir. Na terceira semana chegou Benjamim o alemão que conheci na minha primeira fazenda. Foi legal revelo e conversar sobre nossas viagens.
Como aqui é um centro artístico, às vezes eles hospedam alguns artistas. Orla é uma jovem artista que esta começando a carreira e tirou algumas semanas para ficar por aqui. Ela é bem legal, têm paciência para conversar comigo e várias histórias legais para contar.
Um dia um dos vizinhos dos Joyces passou aqui e nos convidou para ir na casa dele, e capaz que não iríamos. Ela é bem perto, uns 10 minutos caminhando. Ele tem muitos livros, cada cômodo tem uma estante. Ele é poeta, mas é em irlandês, como não entendo nada em irish, não li nada que ele escreveu. Acho que ele é bem famoso por aqui, mas ainda não pesquisei sobre ele porque não tenho certeza como se escreve o nome (é Cathal, mas se lê Carral). Ele gosta de conversar e mostrou toda a casa para nós. Gosto disso nos irlandeses, eles são hospitaleiros e gostam de contar suas histórias (ok, não são todos, mas a grande maioria é).
Quando o tempo esta bom vamos para a praia. Me impressionei a primeira que fui, ela realmente se parece com uma praia! Tem areia, algumas dunas e a água é limpa e “azulzinha”. Foi divertido ir lá. Deu pra tirar os tênis e sentir a água fria, a areia, a brisa do mar. Quase tinha me esquecido dessas sensações. Claro que não deu para tomar banho, mas talvez numa próxima eu tente.
Ian e a Oona têm quatro filhos (duas meninas e dois meninos), mas eu só conheci os rapazes. Alia, o mais novo, é muito esperto e sempre esta correndo pelos jardins lutando contra Orcs ou nos salvando de algum perigo. Esses dias quando estávamos conversando ele falou “Dublin é feia, não gosto muito de lá” e eu “Mas Dublin é uma cidade bonita” ele “Isso, Dublin é uma Cidade!”. Ainda penso nisso que ele falou. Provavelmente essa criança de nove anos entende melhor das coisas que eu.

Iria ficar só duas semanas aqui, mas conversando com a Oona ela disse que eu poderia ficar mais tempo se quisesse, então ficarei mais.
Casa principal e meu quarto.

Paisagens.

Casa antiga, pra mim a melhor!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Despedida e Donegal.

A última semana na fazenda Dennehy foi muito boa. Confesso que na primeira semana já estava contando os dias para me mudar porque o trabalho às vezes era bem chato, mas nessa ultima semana já não tinha tanta certeza se queria mudar. Acho que foi porque já estava acostumado com o trabalho, sabia o que fazer. Então agora estou com saudades. Minha hora de mudar tinha chegado, fiz as malas e parti. Quando me despedi de Niall ele me agradeceu pela ajuda e ainda me deu 50 euros! Ele falou: “Toma umas Pints”. Nem preciso falar que fiquei mais que feliz. Com esse dinheiro consigo pagar meu ônibus, hostel e ainda sobra dinheiro. Foi Betty (mãe do Niall) que me levou até a rodoviária. Enquanto íamos sentia o misto de ansiedade e saudade. Ansiedade para conhecer mais lugares e a saudade de deixar uma família tão legal. Tive bons momentos lá, boas histórias e consegui me divertir bastante. Aprendi muitas coisas e principalmente a valorizar o trabalho dos fazendeiros!
Peguei o ônibus às 10 horas, teria "só" que fazer três trocas até chegar em Donegal. Minha primeira jornada era até Limerick, que no dia estava tendo uma corrida e o ônibus não me deixou na rodoviária. Resultado: tive que andar 3 km com minhas malas e perdi o primeiro ônibus para Galway. Peguei o segundo. Cheguei em Galway as 3 horas, o próximo para Sligo era só as 4. Estava exausto e fiquei descansando na rodoviária. Embarquei às 4 horas para Sligo e as 6:30 cheguei lá. Esperei uns 15 minutos e peguei, finalmente, o último ônibus do dia. Cheguei às 8:30 em Donegal. Para variar estava chuviscando. Um quilômetro de caminhada e eu estava no hostel. Só queria comida e um banho. Estava exausto. Praticamente 12 horas dentro de ônibus e o dia não estava bonito pra ficar apreciando a paisagem.
No outro dia, conversei com a dona do hostel, que foi muito gentil comigo, e me indicou uma pequena caminhada para fazer. Deixei minhas malas e fui conhecer Donegal. Fiz a caminhada, que foi boa e cheguei ao centro. Pra falar a verdade a cidade não me agradou. Não tem muita coisa para fazer. As únicas coisas da cidade (que na verdade é uma vila com mais ou menos 8 mil habitantes) são um Castelo e algumas lojas para ver. O castelo não me impressionou muito não. Foi legal entrar, conhecer um pouco da história do lugar, mas acho que estava tão cansado que nem isso me animou muito.Entrei em duas lojas muito legais. A primeira foi uma livraria, muito simpática, e a segunda era uma loja de lembrancinhas. Caminhei um pouco pela cidade e resolvi voltar ao hostel e esperar para pegar o próximo ônibus. Fiquei na sala descansando e consegui assustar a filha dos donos porque ela pensava que estava sozinha na casa. Conversei com ela bastante tempo sobre viagens, Brasil e sotaques.
As 6:30 peguei o ônibus (que estava atrasado e eu achando que tinha perdido) e duas horas depois cheguei em Gortahork. Liguei para meus novos hosts e cheguei na minha nova “casa”.  


Eu, Betty e Niall.
Saudades do meu antigo trabalho.
Caminhada
Castelo.
Pausa para a nova Tattoo (brincadeira).

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dingle

No último final de semana meu host Niall teve um casamento para ir e eu não teria como ir para cidade ou fazer outra coisa se não ficar na fazenda. Resolvi ir para Dingle uma península com várias praias e montanhas. Já tinha ouvido falar de lá (meus amigos da outra fazenda foram e falaram que era lindo lá) e tinha muita vontade de conhecer. No sábado peguei o ônibus e fui. É um pouco difícil dormir nos ônibus aqui na Irlanda, pois as paisagens sempre são bonitas, então preferi ficar acordado e curtir um pouco do visual. Tive que trocar de ônibus em Tralee.
Cheguei em Dingle depois da uma da tarde. Pra variar o tempo não estava muito bom e chovia um pouco. Sempre tenho sorte quando viajo... Bom, mas tinha que aproveitar do mesmo jeito. Caminhei pela cidade. Ela não é muito grande, acho que em 1 hora já tinha visto praticamente tudo. Têm muitos pubs, não contei, mas em cada quadra devia ter no mínimo uns 4. Depois de conhecer a cidade precisava achar meu hostel. Não sabia direito onde ficava então procurei por wifi para conectar na internet. Vi a biblioteca pública e resolvi entrar. Ela é bem legal, têm livros, filmes, CDs, e internet! Depois de saber onde meu hostel ficava fui até lá. O Lovett’s Hostel é mais uma casa com quartos para as pessoas dormirem. Eu achei muito bom. Cama confortável, banheiro limpo, e a dona foi muito legal comigo.
Como ainda estava cedo e o sol resolveu aparecer, timidamente, mas apareceu resolvi caminhar até o farol. Não preciso falar que a paisagem era linda. Sério o lugar é muito bonito, mesmo o dia estando feio era bonito. Perto do Farol tive a oportunidade de ver uma apresentação dos Golfinhos. Sim tem golfinhos lá! Saltavam, davam piruetas, se divertiam. Tirei algumas fotos.  Quando voltei para o hostel conheci duas italianas muito legais. Chiara e Federica me convidaram para ir a algum pub, e porque não aceitaria? Então fomos. Foi divertido. No pub tinha música tradicional irlandesa, muito boa.
No domingo resolvi pegar uma bicicleta para conhecer melhor a península. Peguei ela às 10 horas e sai sem um rumo. No mapa tinha uma rota para ciclistas. São 127 km, achei que era um pouco longa de mais, resolvi fazer só metade. Foi uma experiência incrível! Andei bastante, uns 50 km, mas nem pareceu tanto. Confesso que nas subidas eu queria desistir, mas quando passava as curvas e via a paisagem pensava “Esse esforço é pouco por isso”. Durante o percurso encontrei Chiara e Federica, mas elas estavam fazendo o tour com Van. Na metade do caminho já estava exausto e precisava descansar. Achei um lugar bom pra sentar e preparei meu almoço: Uma lata de sopa do Lidl com bolachas cream cracker. Não sei se era porque estava com fome, mas estava muito boa J . Tinha até sobremesa, biscuito digestives com chocolate do Tesco (isso não pode faltar). Depois continuei a jornada. Era divertido andar de bicicleta. Quando estava nas descidas me imaginava em uma moto andando pelas curvas das montanhas. Antes de chegar na cidade resolvi tirar uma foto com minha nova companheira a Carter, minha bicicleta.
Cheguei na cidade depois das 2 horas. Resolvi andar um pouco mais. Tinha um sol lindo e não podia desperdiça-lo. Fui para o outro lado da península, numa pequena e isolada praia. Muito legal lá. Deitei na grama e aproveitar pra descansar um pouco. Naquele momento não queria fazer mais do que isso, ficar ali deitado e apreciando a paisagem.
Cheguei no hostel e conversei com a dona. Ela foi muito gentil perguntando como foi meu dia, e disse que ficou feliz por eu ter aproveitado. Perguntou se eu precisava de alguma coisa e depois saiu.
Na segunda peguei o ônibus novamente. Parei em Tralee e fiquei umas duas horas na cidade. Era pequena e não tinha muitas coisas para fazer. Uma curiosidade da cidade é que ela é conhecida como “Cidade das Rosas” na Irlanda! Claro que me lembrei da minha adorável Sapiranga ;D .

Bom, foi um ótimo passeio e recomento Dingle para aqueles que querem uma aventura diferente.


Federica, Chiara e eu ;D




Paisagens incríveis! 

Almoço de domingo. Coisa boa!
Eu e minha bike.
Finalzinho de tarde mais ou menos.





sexta-feira, 25 de abril de 2014

Killarney

Tenho meus finais de semanas livres para fazer o que quiser e no meu primeiro aqui em Killarney resolvi conhecer melhor a cidade. Sabia que ela não era muito grande, mas quando falei que viria para cá John me disse que era a segunda cidade mais visitada da Irlanda (não tenho certeza disso) então tinha grandes expectativas.
Quem me conhece sabe que gosto mais de cidades pequenas que grandes capitais e Killarney é o tipo de cidade que eu mais gosto. É pequena, bonita, têm muitas árvores e flores, muitos pubs, cinema (isso é muito importante), várias livrarias e o melhor um parque INCRÍVEL! Aqui fica o Killarney National Park com várias montanhas, lagos e castelos. Cheguei na cidade depois do almoço e desci logo no Tourism Office para pegar um mapa. Estava meio perdido, o mapa não era muito bom. Um senhor percebendo que eu não sabia onde estava me perguntou se podia me ajudar e claro que aceitei. Sabendo as direções corretas fui em direção ao Ross Castle (que é dentro do parque). Enquanto seguia para o castelo passei por ruas lindas, com prédios coloridos e cheios de vida. Havia vários turistas, escutei de tudo e até português, um grupo de gurias cantando Michel Teló ( ¬¬ ), fingi que nem escutei.
Quando cheguei no parque só conseguia pensar uma coisa: Que lugar mágico! A paisagem era linda. Vários campos, árvores antigas, pessoas caminhando, fazendo piquenique. Bom, não tenho como descrever aquele lugar. É muito fácil andar por ele porque é cheio de placas e os caminhos são todos (ou quase todos) asfaltados, para usar bicicletas, carrinhos de bebês e qualquer outro meio de locomoção.
Cheguei no castelo. Ele é legal. Pequeno, mas bonito. Não cheguei a entrar só passei por ele e continuei caminhando. O nome do lugar era Ross Island (Ilha do Ross). Caminhei por horas, a vista era espetacular, e quando estava voltando vi uma trilha secundária. Resolvi seguir ela e para minha surpresa achei o melhor lugar de todos. Uma pequena praia com vista para as montanhas. Ali sentei em uma pedra e orei, meditei, agradeci ou apreciei a paisagem, escolham a que acharem melhor. Falo isso porque não sei dizer ao certo o que fiz. Simplesmente fiquei ali. Talvez foram 15 minutos, meia hora ou uma hora, não me lembro, mas naquele momento senti algo diferente. Me senti parte daquilo tudo. Consegui sentir paz. Ali no meio do “mato” longe das coisas que nos fazem esquecer o que somos.  Escutava o barulho das águas, dos pássaros, das árvores, o cheiro da natureza e me senti mais humano. Foi algo tão bom que só de lembrar fico relaxado.
Quando voltei para o castelo ele já estava fechado. Caminhei até a cidade, passei no lugar que todo viajante ama: o reduced do tesco. Comprei donuts e fui apreciar o som que os músicos de rua tocavam. Não tenho muito mais pra contar. Foi um ótimo dia numa cidade incrível.
Ross Castle

Killarney National Park

Oi :)

Pelo caminho...

Reconectar 

Rua de Killarney

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Dennehy’s Farm - Primeiras impressões

Estou há uma semana na fazenda do Niall Dennehy e achei que estava na hora de contar como esta aqui. Cheguei na ultima segunda-feira, dia 14 de abril, ele me buscou na rodoviária de Killarney. A fazenda não é muito longe do centro da cidade, 10 minutos de carro. Aqui é totalmente diferente da fazenda onde eu estava. Sou o único voluntário. Meu alojamento é uma casa. Sim, uma casa só pra mim! Tenho dois quartos, dois banheiros, sala e cozinha, mas quase não fico nessa casa, uso mais a casa do Niall que é onde tem internet e faço minhas refeições. Essa outra é só para eu dormir mesmo. Na casa do Niall moram ele, a mãe e sempre tem algum irmão dele por lá. Esse final de semana foi páscoa então a casa estava cheia de gente. Bom, mas vou contar primeiro como foi a semana.
O dia aqui começa cedo. Acordo sete e meia, caminho até a casa principal (dá uns 10 ou 15 minutos), tomo café e às oito e meia começo a trabalhar. Meu serviço não é difícil, mas às vezes cansa bastante porque é muito trabalho. Começo ajudando o Niall a tirar leite. Esqueci de falar, aqui é uma fazenda de leite e antes que pensem que estou ordenhando vacas já falo, aqui é tudo mecanizado. Quando chego ele já começou. Primeiro ele passa um produto vermelho nas tetas delas para limpar, coloca os “sugadores” (não faço ideia do nome disso) e após o leite ser tirado ele passa um líquido verde para evitar infecção. Isso se repete umas 8 vezes, porque ele tem 45 vacas. Mas se fosse só isso tranquilo, o problema é que nossas queridas amigas vaquinhas não tem controle sobre seus esfíncteres, então urinam e defecam por todo lugar que passam. E é ai que entra meu principal trabalho, limpar a sujeira que elas fazem. Tenho que empurrar tudo até um valo e no final passar água com um jato. Agora não me importo mais, mas no começo o cheiro era bem complicado.
Depois disso pegamos uma parte do leite, Niall coloca mais um produto (eles tomam leite batizado) para prevenir doenças e vamos alimentar os bezerros. Agora eu entendi aquela famosa frase “mama mais que bezerro” porque nem cheguei com o balde de leite e eles já estão colocando a boa procurando leite. Meu casaco de trabalhar (sim tenho uma roupa separada para trabalhar) fica todo babado, mas o pior não é isso, é que eles ficam colocando o focinho e nem sempre é com delicadeza, então me empurrando e quase não consigo colocar o leite para eles beberem. Às vezes da muita raiva, mas me acalmo “tudo nessa vida passa”. Depois tenho que ajuda-los a encontrar o leite, eles são meio tontos, coloco meu dedo na boca deles e levo até o balde.
Quando estou com raiva de alguma coisa é só eu sair de algum dos galpões e ver a vista incrível que tem aqui. Essas montanhas tem a capacidade de trazer paz pra mim. As fotos que tirei não conseguem mostrar como aqui é lindo, mas vou colocar elas pra vocês verem.
Depois de tirar o leite, limpar o lugar e alimentar os bezerros tem mais trabalho, mudar o cercado de lugar. As vacas de noite ficam em um campo e de dia em outro, para elas não comerem todo o pasto durante a noite tem como se fosse uma linha com energia (dá choque) que impede de elas passarem. O choque não é forte, já tomei um desses, mas foi na outra fazenda, outra hora conto. Então temos que muda-lo todo dia. Quando terminamos vamos almoçar. Depois do almoço todo dia muda. Tem dias que fico duas ou três horas sem fazer nada, tem outros que só tenho meia hora de descanso, dependo do dia.
Às seis horas esta na hora de tirar de novo o leite. Vou até onde as vacas ficam e trago elas para tirar o leite. Tenho que me esquivar de várias bostas pelo caminho, mas é tranquilo quando as vaquinhas estão de bom humor. Repete-se todo o processo que falei antes, tirar leite, limpar, alimentar os animais. Após tudo isso, vamos jantar. Geralmente terminamos as 8:30 com tudo, mas tem dias que vai até mais tarde. Sim o dia aqui é bem longo, por isso que é mais difícil.

Não posso reclamar de nada daqui. O Niall, a mãe dele e toda a família me tratam muito bem, e têm paciência quando não entendo o que eles falam. O sotaque deles é bem diferente e falam muito rápido, mas com o tempo aprendi a entender. Tenho meus finais de semana livres, nesse que passou fui até a cidade para conhecer, mas isso já é assunto para um próximo post. Vou trabalhar porque a vida de fazendeiro não é fácil. 
Vista da fazenda.

Vista da casa do Niall.

Meu alojamento, quarto, sala e cozinha.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Despedida de Grisewood

Já faz um tempo que não posto mais nada, estou bem ocupado ultimamente, mas hoje tirei um tempinho pra escrever sobre os últimos dias em que estive em Grisewood. O final de semana foi em clima de despedida. No sábado à tarde fomos a um lago incrível que tem perto da fazenda. Foi muito divertido e me trouxe muita paz. A paisagem é linda e estava com bons amigos. Quando estávamos voltando descobri que Peter (o novo voluntario) tinha um arco e flechas, quase nem fiquei com vontade de aprender a atirar.
Lago Lough Gur.


Voltando a fazenda o jantar já estava pronto. Após o jantar foi a parte mais legal do dia. Fomos para o túnel jogar pebolim e beber cerveja. Era a despedida para Vicent que iria embora no outro dia, mas acabou sendo uma despedida pra mim também. Essa noite com certeza foi uma das melhores que tive aqui. Todos bebendo, se divertindo, falando besteira, ficando felizes quando eu fazia um gol (sim eu era o pior jogador, acho que a cerveja me fez jogar melhor). E no final os ganhadores da noite foram: Eu e Julian! Sim até eu me impressionei, mas só ganhamos porque Julian joga muito bem. Foi uma ótima noite, boas lembranças para se guardar.
"Where is the bol?" frase da noite.


No domingo depois do Brunch  (mistura de café da manhã com almoço) nos despedimos do Vicent. A tarde eu, Kim e Federico fomos caminhar no campo de airsofth. Foi divertido e tiramos algumas fotos legais. Aquele campo é muito show! (quando der posto fotos dele)
Old bus.

A melhor parte do domingo foi depois da janta. Conversei com Peter e pedi para ele me ensinar a atirar com o arco e ele aceitou. Kim, Federico e Benjamin juntaram-se a mim e fomos aprender e nos divertir um pouco. Foi muito legal! Agora estou querendo comprar um arco pra mim também. Só quem já atirou sabe a sensação que dá. Fizemos uma pequena competição e fiquei em segundo lugar, só perdi pro Peter (\o/).
Manjando dos paranauê.

A segunda-feira para mim foi difícil, era o dia que iria embora. John disse que podia aproveitar a amanhã para tirar fotos e descansar, e foi o que fiz. Tirei fotos com meus amigos, da casa e do trabalho que fizemos para guardar como recordações. Depois da pausa para o café foi a hora de dar adeus. Confesso, foi difícil. Cada abraço, cada palavra que eles me falaram foram realmente importantes para mim. Pedi a John e Catherine para tirarem uma foto comigo, como a netinha deles também estava lá ela participou da foto. Antes de partir deixei meus agradecimentos para meus hosts no grande livro que eles têm (esse livro já tem 10 anos, todos, ou quase todos, os voluntários que por lá passaram deixam uma mensagem para os dois, muito legal essa ideia)
Primeira foto com Liliana (italiana), segunda com Julien e Julian (franceses) e na terceira com Benjamin (Alemão), Federico (italiano), Peter (polonês) e Kim (alemã).
Primeira foto com Liliana (italiana), segunda com Julien e Julian (franceses) e na terceira com Benjamin (Alemão), Federico (italiano), Peter (polonês) e Kim (alemã).

Meus agradecimentos.

Quando fui para o carro, Liliana e Julian estavam na porta da casa para me ver partir. O carro começou a andar e me lembrei de todos os momentos felizes que tive ali. Pegamos a estrada e no final da fazenda estavam meus outros amigos para me dar tchau. Kim, Benjamin, Federico e Peter estavam na beira da estrada para acenar para mim. Me despedi de Catherine na estação de ônibus. Com o coração apertado parti para uma nova aventura. Go to Killarney!
Eu e meus incríveis hosts John e Catherine, e com a netinha deles.


PS: ainda tenho algumas histórias do tempo que passei lá para contar. Então quando der irei postar mais coisas.
PS2: Ficou grande o texto, desculpem por isso.

domingo, 13 de abril de 2014

Noite de pub

John e Catherine são ótimos hosts e tratam-nos como se fossemos parte da família. Temos ótima comida (muito melhor da que eu comia em Dublin), sempre preocupados com nós e ainda nos levam a pubs. Bom, é mais o John, a Catherine geralmente fica em casa. Todas as quartas-feiras vamos a um pub. É sempre o mesmo, é toda vez é diferente. Mas porque em quartas? Tem uma boa resposta. Há mais de 40 anos um grupo de amigos encontra-se em quartas-feiras para tocar músicas irlandesas nesse pub. Uma única coisa que posso falar: É incrível. Eu sou apaixonado pelas músicas irishs, não entendo nada do que eles cantão, mas a melodia é legal de mais. Fui três quartas lá, e cada uma foi diferente porque sempre escuto uma nova música, ou chega mais alguns músicos para tocar. Na última teve duas mulheres tocando violino. O pub é pequeno, não é uma atração turística, é mais para locais mesmo. Tem tanta tradição lá que quando você pede uma Guinness ela vem com uma nota musical no seu drinque (foto). E o melhor de tudo isso, não precisei pagar nada, o John pagou nossas bebidas. Claro que a bebida me agradou, mas gostei muito mais de poder conhecer esse lugar incrível. De ver os irlandeses fazendo o que melhor sabem: Beber e se divertir. 


Músicos
Guinness com nota musical.

 Julian, John, Gonzalo, Eu, Carlos, Liliana e Mathilda.

sábado, 12 de abril de 2014

Um dia em Grisewood

All the other kids with the pumped up kicks...
O celular me informa que devo acordar. São 8:30 e preciso me arrumar pra começar mais um dia. Toalha, escova e pasta, essas são as primeiras armas do dia. Vou ao banheiro, troco de roupa, desço as escadas e me encaminho para a casa do John. Ao entrar quase todos já estão na mesa. Arrisco um Buongiorno, para os italianos, Bonjour aos franceses e Buenos Días ao espanhol. Aos alemães vai um Good Morning, nem tento mais falar em alemão, sempre estou errado. O café já esta pronto. Aveia, leite, sucrílios e uma maça, é isso que preciso pra iniciar bem o dia. Ajudo a guardar as coisas e descaso um pouco até a hora de trabalhar.
 Nove e meia e John chega agitando a todos. “É hora de trabalhar”. Vou ao túnel. Enxada, botas e jaqueta de chuva, hoje é dia de jardinagem. Batatas, cebolas e mudas de morangos já estão espalhadas pelo canteiro. Onze horas é hora do café, mas prefiro chá com leite.
Depois do intervalo o serviço muda. Temos que colocar o entulho acumulado pela obra da casa em outro lugar. Olho para meus companheiros e percebo tristeza. Estamos tirando esse entulho há semanas, e o trabalho não é divertido. Colocamos parte do dele na 4x4. Eu dirijo, essa é a única parte legal. Mão esquerda controla as marchas enquanto meus olhos ficam atento a Ali, o cão da família, ele fica louco quando ligo o carro. Foi difícil no começo, mas agora tiro de letra dirigir ao contrário. Quando terminamos a primeira viajem já esta na hora do almoço, 1:00 pm.
Chegamos famintos, e o cardápio: Sopa, novamente. É sopa todos os dias da semana. Mas estava boa. Voltamos ao trabalho e fazemos mais umas 9 viagens com a 4x4 e finalmente terminamos. São cinco horas e esta na hora de parar por hoje. A janta começa a ser feita. Hoje teremos massa italiana. Seis horas e a comida esta pronta. Todos na mesa e começa o espetáculo dos idiomas. Sai de tudo, até algumas palavras em português eles tentam. Depois do jantar tomo banho.
Ligo o computador para ver meus emails e mexer no Face. Duas horas depois, ligo pra família. A saudade bate. Converso primeiro com meu avô, ele me conta como estão às coisas, depois com minha avó que conta as mesmas coisas que ele, mas com mais detalhes. Converso com meus pais, que sempre perguntam quando vou voltar.

Desligo e penso em ir dormir, mas John chega e convida todos pra ir tomar uma cerveja no vilarejo. Eu, como bom intercambista, não posso perder essa oportunidade. Outro dia conto como foi.
Sláinte

quinta-feira, 10 de abril de 2014

De estudante a fazendeiro.

Já faz duas semanas que estou na fazenda Grisewood, mas antes de contar como as coisas estão por aqui acho melhor contar como vim parar nela.
Tudo começou com minhas ideias de como ficar na Irlanda por mais tempo sem gastar muito. Procurei por emprego. Sim eu procurei, fiz uma entrevista (que foi muito boa), mas não deu certo pelos meus planos de voltar para o Brasil. Hoje vejo que foi melhor isso ter acontecido. Então desempregado, com pouco dinheiro e minhas aulas tinham acabado, tinha que fazer algo da minha vida e voltar para o Brasil não era uma opção. Fazendo pesquisas descobri o site WWOOF que é um site para você procurar por fazendas orgânicas para realizar trabalho voluntário, achei interessante e resolvi pesquisar mais sobre o assunto.
Vendo blogs e sites descobri outro site com o mesmo objetivo, o Workaway, mas com uma diferença ele não é só para fazendas, é para todo tipo de trabalhos (em fazendas, hostels, casas, escolas, enfim tem de tudo lá). O site é simples e você só precisa fazer seu cadastro, pagar uma taxa e depois pode procurar seu host (como são chamadas as famílias que recebem os voluntários). A ideia é simples pessoas precisam de ajuda e tem pessoas querendo ajudar, então os hosts colocam o anuncio do tipo de trabalho e quando podem receber voluntários.  Então quem procura por um lugar para ficar pode entrar em contato e combinar os detalhes com o host.
Mas o que os voluntários ganham com isso? Resumindo: casa + comida, e o mais importante, muitas experiências incríveis e a oportunidade de conhecer mais sobre a cultura e estilo de vida das pessoas do país. E os hosts? Bom, eles ganham um par de mãos extras e ajudam aqueles que querem viajar e conhecer novos lugares (sim ajudar os outros também é um BENEFÍCIO!).
Adorei a ideia e quem me conhece sabe como gosto dessas coisas. Fiz meu cadastro e depois de enviar algumas mensagens, recebi a resposta do John, arrumei minhas malas e peguei o ônibus, sem saber certo qual era meu destino ou o que iria encontrar lá.
Até agora o que posso falar é: esta tudo muito bom. É melhor do que eu esperava. E estou muito feliz, principalmente porque encontrei aquilo que muitas pessoas não acreditam mais: Bondade.

Existem pessoas boas nesse mundo e você pode confiar nelas.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Meio meu mundo parte 1

Hoje deu vontade de escrever. Já fazia algum tempo que não tirava um tempo pra isso, digo que não tirava um tempo para colocar meus pensamentos no lugar e tentar achar algum sentido em tudo que sinto, penso e vivo.
São tantas coisas acontecendo. Tanta coisa pra contar que resolvi escrever esse blog. Será um blog pessoal, com coisas que penso, que gosto e principalmente sobre as “aventuras” que estou vivendo.  Será meio meu mundo.